ABCCC - Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

Cavalo Crioulo ocupa cada vez mais espaço nas provas de Rédeas

07 DE JUNHO DE 2022 - ATUALIZADA EM 07 DE JUNHO DE 2022 | Redator: Luiz Ricardo Hüttner/ABCCC

A  Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) fomenta cada vez mais a modalidade de Rédeas dentro da raça Crioula. Esse fomento fica evidente através do Rédeas de Ouro, evento que atrai centenas de competidores numa disputa de Rédeas apenas com Cavalos Crioulos. Mas por todo o Brasil, a cada competição que passa, a raça Crioula firma seu espaço dentro da modalidade. 

 

Realizado em dezembro de 2021, em Campina Grande do Sul/PR, o último Rédeas de Ouro levou Belle Paraíso ao 1º Lugar Snaffle Bit Aberto e Selo de Raça da competição. Nascido em agosto de 2018, de pelagem Colorada Salina Rabicana, é filho de Butiá Olodum e Catanduva Ostia. Criado e de propriedade de Elizabeth Lemanski, Fazenda Paraíso, Balsa Nova/PR.

 

Em maio deste ano, Belle Paraíso venceu o Nível 4 do 1º Futurity Haras Sacramento de Rédeas, em Avaré/SP, com a expressiva pontuação de 220 pontos. Competição em que várias raças de cavalos disputavam a premiação, Paraíso mostrou a competitividade da raça Crioula na modalidade.

 

>>> Confira aqui a apresentação completa de Belle Paraíso

>>> Relembre a prova de Belle Paraíso no Snaffle Bit Aberto no Rédeas de Ouro 2021

 

Escolhido ao pé da mãe

 

Criadora do exemplar e titular da Fazenda Paraíso, Beth Lemanski lembra que o pai de Belle Paraíso, Butiá Olodum, chegou na sua propriedade em 2017 e Paraíso é da primeira geração do Olodum e, segundo a proprietária, "a gente queria provar o potencial reprodutivo do Olodum". Ainda ao pé da mãe, Rafael Sicuro escolheu o Paraíso para o Roberto Jou (cavaleiro que viria a competir com o exemplar), por conta da sua genética muito boa, já que o cavaleiro queria um cavalo grande, garante Beth. 

 

"É bom para rédeas, um temperamento super calmo, fica bem na cocheira, é tranquilo na pista, e provou para todo mundo que pode correr a rédeas, uma modalidade que não é da raça crioula, mas que ele mostrou ir muito bem", afirma Beth. 

 

Sendo a segunda prova do cavalo, a projeção de futuro dele é de crescimento e participação de competições fora do Brasil: "O futuro dele dependia dessa prova, já que se não fosse bem complica um pouco para levar para fora, mas a intenção é levar para os Estados Unidos e quem sabe para a Europa também". Belle Paraíso já tem uma nova prova em vista, em Avaré/SP, agora na categoria Futurity e se ganhar já está com as "patas no avião, mas a expectativa é grande, não porque é meu, mas vez uma baita prova, e quem viu sabe que ele é bom", garante a criadora. 

 

"Tanto eu como todos os criadores, acho que a gente tem que resgatar a Rédeas com o Crioulo, porque tem muito pouco e o Cavalo Crioulo tem potencial de competir essa modalidade. A gente tem a intenção de continuar esse trabalho na modalidade, mas ainda não escolhemos o potro". Por fim, Beth ressalta o potencial reprodutivo do Olodum, sendo que dos poucos machos, um deles foi o Belle Paraíso, alcançando bons resultados já no começo de sua trajetória, já que foi escolhido ainda mamando, ao pé da égua. 

 

Um trabalho dos dois: cavalo e cavaleiro

 

Responsável por conduzir Belle Paraíso nas suas duas competições, Roberto Jou relembra a sua trajetória dentro da modalidade, já que iniciou o seu Centro de Treinamento na década de 1990, com Cavalos Crioulos. "o Sul Rédeas, o primeiro centro de rédeas, em 1997, iniciando com Cavalos Crioulos. Teve bastante participação do Cavalo Crioulo Nacional e Internacional, em São Paulo, Rio Grande do Sul e nos Estados Unidos, como finalistas no Potro do Futuro, Jogos Equestres Mundiais", lembra Jou.

 

No primeiro evento que participou com Belle Paraíso, Jou lembra que "a gente correu com os melhores sangues de cavalos de rédeas e melhores treinadores e o resultado foi excelente. O cavalo foi campeão no Snaffle Bit Aberto da ABCCC, foi legal um evento exclusivo do Cavalo Crioulo onde o Belle Paraíso foi campeão, já demonstrando a sua qualidade".

 

O cavaleiro associa a Rédeas a seleção da raça que é feita pelo Freio de Ouro. "Muito interessante é que mostra que o Freio de Ouro é também uma seleção para os cavalos de rédeas, um cavalo com genética do Freio de Ouro, já comprovada nas pistas, uma nova geração de Cavalo Crioulo para as rédeas. Estamos muito contentes e ansiosos para o próximo passo dele, que é o Potro do Futuro da ANCR, em agosto deste ano", destaca o cavaleiro. 

 

Por fim, o cavaleiro projeta o futuro do cavalo Crioulo dentro da modalidade. "O futuro do Cavalo Crioulo das rédeas já é certo: é de sucesso. A pergunta é quando mostraremos mais para o mundo o cavalo. Nacionalmente e Internacionalmente já tem um respeito enorme, mas a Associação e alguns criadores já estão se movimentando para a gente conseguir cada vez mais ter mais Cavalos Crioulos sendo treinados e aparecendo no nível nacional e internacional. Faço um agradecimento especial à Fazenda Paraíso, a Beth e ao Rafa, que acreditaram sempre no esporte, acreditaram na Raça Crioula, vem trabalhando para mostrar todo o potencial do Cavalo Crioulo nacional e para o mundo, um agradecimento muito especial a toda equipe", finaliza Roberto Jou. 

 

Mais resultados no final de semana

No Centro-oeste do Brasil, em Anápolis, Goiás, mais um Cavalo Crioulo em destaque. Único exemplar da raça Crioula correndo a prova, Dom Eldorado Marca dos Santos foi vencedor Amador N2, N3 e N4, com 71 pontos (a maior nota no geral), na segunda etapa do Campeonato da ACOR-Centro Oeste, realizada no último sábado (04). O cavaleiro foi Gustavo Magalhães