ABCCC - Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

Três maiores raças equinas do Brasil se unem em conversa mediada pela Revista Horse

12 DE MAIO DE 2020 - ATUALIZADA EM 12 DE MAIO DE 2020 | Redator: Juliana Rosa/ABCCC

Durante o período de distanciamento social em combate ao novo Coronavírus, as três maiores raças equinas do Brasil estão distantes apenas fisicamente. Os dirigentes aceitaram convite da Revista Horse para discutir os impactos da pandemia no segmento equestre. A conversa, mediada pelo jornalista Marcelo Mastrobuono, rendeu frutos positivos para os apaixonados pelo universo dos cavalos, que puderam interagir através do Facebook e Youtube da Revista. Entre os assuntos-destaque, se encontra um parecer favorável das associações envolvidas em realizar futuramente um grande evento interraças para fomentar, junto à população, o grande interesse acerca da equinocultura.

O bate-papo contou com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, (ABCCC), Francisco Kessler Fleck, com o presidente da Associação Brasileira do Cavalo Quarto de Milha (ABQM), Carlos Auricchio e o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Mangalarga Marchador (ABCCMM), Daniel Borja. As autoridades conversaram sobre o período de quarentena enfrentado por toda a população, ocasionando a pausa nos eventos responsáveis por movimentar economicamente de forma significativa o setor do agronegócio.

Por outro lado, o adiamento das provas não impossibilitou que o Cavalo Crioulo, o Mangalarga Marchador e o Quarto de Milha crescessem. Nos últimos 3 meses, a ABCCC contabilizou cerca de 4,8 milhões de reais arrecadados através de remates virtuais. Já a ABCCMM, se mostrou bastante contente com os 125 novos sócios captados no último mês, enquanto a ABQM pode preparar-se ainda quando o cenário da doença indicava que ela chegaria ao Brasil, enfrentando o problema de forma prévia e estratégica.

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Estreitando barreiras
Apesar da existência de um cenário positivo mesmo em um momento delicado para o mundo, a expansão das raças não pode parar. Os três dirigentes concordam que uma barreira importante para um maior crescimento deste mercado nacional é a dificuldade de exportação. O presidente da ABCCC, Francisco Fleck, lembra que atualmente a única forma de realizar o trâmite é transportando o animal para o país vizinho Uruguai, para que de lá, este parta para outro destino internacional. A importância de um procedimento ágil se finca quando o cenário contribui de forma direta: no último mês, dois potros da raça Crioula foram vendidos para criadores italianos (clique aqui para saber mais).

Para o presidente da ABCCCM, Daniel Borja, a facilidade futura para exportação será um fator resultante de um relacionamento direto entre as associações: “O cavalo, a partir do momento que se tem competição, envolve disputa, valores financeiros. Mas se nos unirmos, podemos construir um grande projeto e enfrentar esses problemas. Com isso, vai abrir um grande campo, que é o da exportação. Podemos juntar várias mãos para levar o nosso cavalo para fora do Brasil”.

Preocupação com a saúde dos animais
Assim como a ABCCC, que já recebeu convites do Ministério Público para auxiliar em casos de bem-estar animal em eventos, o Quarto de Milha também está buscando formas efetivas de formalmente mostrar sua preocupação com os animais. A ABQM acaba de criar uma diretoria específica para tratar da questão e está organizando, junto a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), formas de certificar o trabalho. “É um passo importante. Estamos falando para a sociedade que temos um parâmetro e um padrão a serem validados nas competições e que a sociedade pode ficar tranquila que nós, que praticamos esses esportes e trabalhamos com cavalo, com gado, somos os maiores interessados em oferecer um melhor ambiente possível”, diz.

Para o representante da ABCCC, o cavalo, além de paixão para muitas pessoas, é também uma ferramenta de trabalho. “É muito importante que consigamos estreitar essa união entre as raças. Acho que unidos, conseguimos ser mais fortes. Isso já foi demonstrado na questão do bem estar animal, onde todos estão trabalhando muito forte nisso”, acredita.

As entidades se mostraram otimistas, e concordaram que o cenário atual é importante para se olhar “para dentro da própria casa”, reformulando estatutos, modernizando métodos e técnicas e realizando estudos, para que ao final desta pandemia, todos estejam preparados para o crescimento da equinocultura no País.