ABCCC - Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

Cabanha Santa Edwiges comemora quarenta anos de dedicação à raça Crioula

19 DE MAIO DE 2017 - ATUALIZADA EM 23 DE MAIO DE 2017 | Redator: Yago Moreira

Uma geração de criadores que começou a ser construída há quatro décadas. De pai para filho, um presente. Um sonho. As primeiras éguas Crioulas tão desejadas. Nas marcas da tradição, a família Anzanello, desenhou uma história em que o imaginário e a fé fizeram da Cabanha Santa Edwiges uma das maiores referências no desenvolvimento da raça crioula. Hoje, com o trabalho já consolidado e colhendo os frutos de todo o empenho dedicado ao longo do tempo, o estabelecimento comemora seus 40 anos de existência.

 

Diferentemente de outras famílias, a história dos Anzanello na criação de cavalos não se deu por herança ou sucessão familiar. Em 1977, o patriarca, Daniel, resolveu transformar um grande sonho em realidade. Quando o primeiro filho, José Antônio, completou 15 anos, foi presenteado com as primeiras éguas crioulas que deram início ao atual plantel. A vontade de criar cavalos já era antiga e evidenciava-se em pequenos detalhes do dia a dia, como nas histórias contadas, nos filmes assistidos e até mesmo nas brincadeiras entre pai e filho.  

 

Ainda em 77, Daniel e José presenciaram o nascimento do primeiro potro. Juntos, pai e filho acompanharam o desenvolvimento de várias gerações e viram os animais conquistar prêmios em eventos e exposições. A partir desse momento, aquele antigo sonho de dar continuidade à criação, além de crescer cada vez mais, tornava-se uma realidade.

 

Eis que surge, então, a Cabanha Santa Edwiges, cujo nome foi escolhido devido a devoção de Daniel e Laurinha (esposa) à Santa que protege os pobres, os endividados e os negociantes.

 

Atualmente, o estabelecimento conta com seis proprietários. Além do idealizador, Daniel Anzanello, seus filhos e netos também compartilham da mesma paixão pelo cavalo Crioulo. São eles: José Antônio Anzanelo, Carlo Anzanello Stifelman, Bruno Anzanello Stifelman, Eduardo Anzanello Lima Verde e Leonardo Anzanello Lima Verde.

 

 

Perfil dos animais

Logo no início da criação, foi traçado o perfil do cavalo ideal para produzir na cabanha. Dentre as principais características desejadas, como beleza, funcionalidade e reprodução, a família optou por não dar continuidade ao sangue Hornero. De acordo com José Antônio, essa escolha se deu puramente por questões comerciais, que não tinham a ver com a admiração existente por essa origem. Segundo ele, o objetivo era investir em uma nova linhagem que fosse alternativa funcional e morfológica para servir as manadas de sangue Hornero.  

 

Origem

Como citado anteriormente, tanto a fazenda quanto a manada não foram uma herança de família. Os Anzanello começaram do zero. Para iniciar a criação, importaram, da Argentina, mais de 50 éguas de criação da família Mathó, que mesclavam origem Cardal, Del Oeste e San Justo. Além de dois garanhões: Chake el Tata, também Mathó, e Tañido Redoblado, da família Ballester. Do Chile, vieram cinco éguas (Castaña, Candileja, Violinista, Morena e Tranquilla) e dois garanhões: Sendero Kalifa (linhagem Tren Tren Arrebol e No me Toques) e Muticura Sin Suerte (linhagem Colibri e Rigor). A partir do cruzamento dessas genéticas, originou-se toda a manada, que hoje conta com o nascimento de oitenta potros por ano.

 

Características

Para produzir cavalos com um perfil que atendesse a todas as exigências de uma boa raça, a família buscou nas manadas da Argentina características como selo racial, correção de lombo, aprumos, cabeça, rusticidade, resistência. Já nos cavalos do Chile, o objetivo era identificar aspectos como funcionalidade, inteligência, agilidade, explosão, pescoços leves, posteriores mais potentes e adornos abundantes.

 

Trajetória

Ao longo desses 40 anos, os Anzanello realizaram o trabalho de analisar e selecionar o que cada origem apresentava de positivo, para que, dessa forma, fosse possível desenvolver uma genética cada vez melhor.

 

José Antônio foi enfático ao dizer que, “para se manter até hoje, foi preciso muito empenho e dedicação, pois os desafios são grandes e se não existisse amor pelo que se faz seria mais difícil. ”

 

Para a família, sempre foi importante ressaltar que o sucesso da cabanha é resultado de uma parceria e apoio entre diversas pessoas, como é o caso deMilton Castro, ginete e conselheiro que sempre foi decisivo nas tomadas de decisões para que a funcionalidade e a qualidade genética da criação fosse comprovada nas pistas de prova e de morfologia. E com essa integração, viram seus cavalos conquistar os mais cobiçados prêmios da raça Crioula.

 

Caminho para o sucesso

Para atingir o atual patamar de qualidade e referência na lida com os cavalos da raça Crioula, os Anzanello, procuraram investir, dentre todos os fatores, em uma boa Genética. Para a família, sem uma genética adequada, não adianta ter um bom manejo, uma boa doma, boas pastagens ou bom treinamento. Se o Crioulo não tiver genética superior, por mais bem cuidado que ele seja, ele será, no máximo, um cavalo bem cuidado.

 

Ter conhecimento do que se faz também foi de extrema importante e, por essa razão, Daniel Anzanello, além administrar a própria cabanha, envolveu-se em outras atividades relacionadas à raça crioula. Durante os anos de 1999 e 2001, foi presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), período em que dedicou-se a missão de preservar e difundir o Cavalo Crioulo no país.

 

Leilão dos 40 anos

Na sexta-feira, 19 de maio, a cabanha promove o leilão de 58 exemplares. O remate ocorre no Tattersall do Cavalo Crioulo, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS. Além disso, será televisionado pelo Canal Rural.